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Odontologia e Coronavírus: como exercer a profissão com menos riscos?

A pandemia de Coronavírus é, sem dúvida, um dos principais assuntos do momento. E os profissionais da saúde são os mais preocupados com a questão, já que precisam lidar na “linha de frente” com a COVID-19.

Diante disso, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) lançou uma cartilha com orientações aos dentistas para que possam exercer a profissão com uma menor exposição aos riscos gerados pelo Coronavírus.

Abaixo separamos os pontos mais importantes do material e outras dicas importantes sobre o tema que selecionamos de entrevistas com especialistas. Confira!

Odontologia e Coronavírus: principais dicas de atendimentos

A recomendação do CFO é que os profissionais de odontologia apenas realizem os atendimentos de urgência e emergência presencialmente, quando possível.

Urgência e Emergência

São consideradas emergências aquelas situações que potencializam o risco de morte do paciente.

Por exemplo: sangramentos não controlados, infecções bacterianas difusas com aumento do edema de localização intra-oral ou extra-oral com potencial risco de comprometimento da via aérea e traumatismo envolvendo os ossos da face com potencial comprometimento da via aérea.

São situações de urgência aquelas que determinam prioridade de atendimento, mas não potencializam o risco de morte do paciente.

Por exemplo:

  • dor odontológica aguda;
  • dor decorrente de inflamações da polpa (pulpite);
  • pericoronarite;
  • alveolite pós-operatória;
  • controle ou aplicação medicamentosa local;
  • remoção de suturas;
  • abcessos ou infecção bacteriana;
  • fratura de dente;
  • tratamento odontológico necessário prévio à procedimento médico crítico;
  • cimentação ou fixação de coroas ou próteses fixas;
  • biópsias;
  • finalização ou troca para medicação intracanal com hidróxido de cálcio e selamento para tratamentos endodônticos já iniciados;
  • cáries extensas ou restaurações com problemas e que estejam causando dor;
  • necroses orais com dor e secreção purulenta;
  • ajuste, troca ou remoção do arco ou dispositivo ortodôntico que estiver ulcerando a mucosa bucal;
  • mucosites orais com indicação de tratamento com laserterapia;
  • trauma dentário com avulsão ou luxação.

Os procedimentos que não entram nessa lista (e, portanto, podem aguardar até o final da quarentena) são: consulta inicial ou periódica de manutenção e de rotina, profilaxias de rotina, procedimentos ortodônticos não relacionados à dor, infecção ou trauma, restauração de dentes ou lesões cariosas assintomáticas, procedimentos com finalidade estética e cirurgias eletivas.

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Pré-consultas

Para saber se o caso do seu paciente é de urgência ou emergência, a recomendação do CFO é realizar uma pré-consulta por telefone. Além de questionar sobre os problemas odontológicos, verifique se o paciente apresenta sintomas de doenças respiratórias.

O melhor, nesse caso, é questionar se o paciente:

  • apresenta ou apresentou febre nos últimos 14 dias;
  • experimentou início recente de problemas respiratórios (tosse ou dificuldade de respirar) nos últimos 14 dias;
  • viajou nos últimos 14 dias para localidades com notificações do novo coronavírus;
  • teve contato com algum paciente com infecção confirmada por coronavírus;
  • teve contato com pessoas que vieram de localidades com confirmação de transmissão do coronavírus ou com pessoas com problemas respiratórios nos últimos 14 dias;
  • teve contato próximo com, no mínimo, 2 pessoas com experiência de febre ou problemas respiratórios nos últimos 14 dias;
  • participou recentemente de encontros, reuniões ou teve contato próximo com muitas pessoas.

Em caso afirmativo para alguma das perguntas acima, a recomendação do CFO é de desmarcar a consulta e adiar o tratamento por 14 dias após o evento de exposição.

É preciso instruir o paciente a ficar em quarentena em casa e relatar seus sintomas ao departamento de saúde local.

Caso o paciente tenha respondido “não” para todas as perguntas e esteja sem febre, é possível realizar o tratamento, mas com medidas protetivas extras, evitando borrifos e procedimentos que gerem aerossóis.

Atenção: pacientes que apresentaram sintomas de infecção respiratória só devem ser tratados caso apresentem alguma emergência. Os demais tratamentos devem ser adiados em 14 dias ou por até 1 mês.

Atendimento ao paciente

As recomendações do CFO para o atendimento ao paciente são no sentido de evitar aglomerações na sala de espera e tentar manter a distância mínima de 1 metro entre cada paciente ou acompanhante.

Se algum paciente ou acompanhante apresentar tosse ou sintomas respiratórios, o indicado é providenciar uma máscara cirúrgica para a pessoa e orientá-la sobre como utilizar a máscara.

Precauções importantes

O documento do CFO ainda traz outras precauções essenciais para os dentistas, como:

  • higienizar as mãos frequentemente, preferencialmente com a lavagem rigorosa ou com o álcool em gel 70%. Lavar as mãos antes e depois da retirada das luvas. Secar as mãos com papel toalha;
  • proteger membranas mucosas de olhos, nariz e boca durante os procedimentos com equipamentos de proteção individual selecionados de acordo com o tipo de atendimento, como luvas, máscaras, óculos e viseiras. Durante a anamnese e exame clínico, a recomendação é usar máscara cirúrgica e óculos de proteção;
  • Evite procedimento em que são gerados aerossóis, mas caso seja necessário realiza-lo, a indicação de máscara é a N95 ou PFF2, ou ainda respiradores reutilizáveis que precisam ser limpos e desinfetados a cada paciente ou de acordo com as recomendações do fabricante. As máscaras precisam ser descartadas a cada paciente ou mais de uma vez no mesmo paciente quando estiverem visivelmente molhadas;
  • realizar a desinfecção dos protetores de face após cada paciente;
  • dentista e equipe devem usar máscaras, protetores oculares, gorros descartáveis e jalecos (podem ser descartáveis ou não). Óculos de grau não são considerados equipamentos de proteção individual, pois não possuem proteções laterais;
  • sempre retirar os equipamentos de proteção individual antes de sair da sala clínica;
  • retirar todos os adereços (pulseiras, anéis, cordões, colares, brincos, relógios etc.) para atender os pacientes;
  • realizar a limpeza e a desinfecção rigorosa de maçanetas, cadeiras, banheiros, pisos e paredes com Hipoclorito de Sódio 1%. Nas superfícies tocadas pelos profissionais é preciso aplicar Hipoclorito de Sódio 1%, Álcool a 70% ou Ácido Peracético a 0,2% após limpeza prévia.

Demais precauções durante os procedimentos

O CFO também indicou algumas orientações aos profissionais durante os procedimentos, como:

  • usar diques de borracha sempre que possível;
  • quando o isolamento não for possível, preferir instrumentos manuais para remover cáries e usar extratores de cálculo ao invés de aparelhos ultrassônicos (minimizar geração de aerossóis);
  • usar sugadores potentes (por exemplo, bomba à vácuo) para reduzir a disseminação de aerossóis;
  • fornecer bochechos com peróxido de hidrogênio a 1% antes de cada atendimento ou iodopovidona a 0,2% para reduzir a carga salivar;
  • nas salas de espera, deixar álcool em gel 70% disponível para os pacientes e acompanhantes;
  • avaliar a temperatura do dentista e dos membros da equipe duas vezes por dia (a primeira antes do trabalho e a segunda ao longo do dia). Se algum membro tiver temperatura acima de 37,8 graus C é preciso afastá-lo do trabalho por 14 dias.

Coletânea de recomendações práticas extras de Dentistas especialistas

Outras recomendações que escutamos de dentistas experientes além das fornecidas pelo CFO na  entrevista feita no Instagram do Dr. Matheus Marcondes com a Dra. Juliana Franco (Dentista do HCMFMUSP, Vice-Presidente do Comitê de Bioética – HCFMUSP, Professora da Especialização do Curso de Odontologia Hospitalar Hospital Israelita Albert Eistein, Doutoranda em Patologia Oral e Pacientes Especiais – FOUSP, Membro Efetivo da Câmara Técnica de Odontologia para Pacientes Especiais e de Odontologia Hospitalar do CROSP):

  • Recobrir a cadeira odontológica e sempre fazer a sua limpeza nos intervalos entre cosnultas.
  • Elimine materiais das bancadas do consultório. Quanto mais liso for o mobiliário e menor a quantidade de objetos, melhor.
  • Não usar a cuspideira, tire a saliva aspirando o paciente.
  • Evite usar a caneta de alta rotação, tente usa-la na baixa rotação. Caso precise usar, faça o procedimento sem irrigação para evitar a formação do aerosol.
  • Dê maiores intervalos entre consultas para seguir as diretrizes de biossegurança. Agende horários com cada paciente, seja pontual e peça para que o paciente também seja para evitar aglomerações.
  • Retire objetos da sala de espera e consultório como revistas.
  • Todo o material tem que ser esterilizado.
  • O protetor facial preferencialmente deve ir até a altura de sua clavícula.
  • Mulheres não devem usar maquiagem e homens devem fazer a barba.
  • Fale o mínimo possível durante o atendimento.
  • Tenha uma lixeira grande no consultório com tampa para descarte de um volume maior do que o usual de EPIs.

Recomendações da Dra Nicole em entrevista a Dra. Karina Caporal sobre ações de combate a crise da covid-19:

  • Faça uma triagem online. Você pode adiantar essa triagem  configurando a própria Cloudia para isso;
  • Meça a temperatura de todos os pacientes antes dele entrar no consultório com o termômetro de testa.
  • Faça uma pré entrevista online (que pode ser cobrada ou não) para avaliar o caso e recomendar o que ele pode fazer, se ele deve ir ao consultório ou deixar para depois. A Dra. Nicole sugere algumas perguntas nesta pré-entrevista online como: Você tem dor? Qual é o nível da dor em uma escala de 0 a 10? Quando a dor começou? É uma dor espontânea ou provocada por algum estímulo? Se provocada, qual estímulo? (passa imediatamente, leva alguns minutos, vai e volta durante o dia, é continua?) Você apresenta inchaço na gengiva ou na face? Quando percebeu esse inchaço? Você tem febre? Tem algum problema para engolir? Tem dificuldade para abrir a boca? Teve algum impacto na boca ou rosto? Descreva como ocorreu este impacto.

Aqui no blog também já falamos algums perguntas adicionais que podem ser feitas nessa pré-entrevista online, que  chamamos de bate-papo online e inclusive indicamos várias ferramentas para fazer isso neste post aqui.

Outras decisões do CFO para o período de pandemia

Além das orientações acima, o CFO também prorrogou o pagamento parcelado da anuidade 2020 para o segundo semestre. A decisão está formalizada na Decisão CFO-06/2020.

O motivo é a instabilidade financeira que muitos profissionais da odontologia poderão sofrer nesse período.

O documento estipula que do dia 1 de março a 30 de setembro de 2020 o valor da anuidade não sofrerá incidência de juros ou qualquer outra forma de acréscimo e o pagamento da anuidade dos profissionais e pessoas jurídicas que optaram pelo parcelamento poderá ser feito em até 5 parcelas iguais e sucessivas.

Essas parcelas serão distribuídas da seguinte forma:

  • primeira parcela com vencimento em 31 de agosto;
  • segunda parcela com vencimento em 30 de setembro;
  • terceira parcela com vencimento em 31 de outubro;
  • quarta parcela com vencimento em 30 de novembro;
  • quinta e última parcela com vencimento em 31 de dezembro.

Para ter acesso a esses benefícios, é preciso requerê-los ao Conselho Regional de Odontologia da sua jurisdição ou pelo formulário eletrônico no site do CFO.

Aos inscritos que já realizaram a solicitação de parcelamento e estão com os boletos emitidos a vencer, é facultativa a escolha da alteração da data de vencimento.

Conclusão

Estamos vivendo um período de pandemia e os profissionais da odontologia estão muito mais expostos ao coronavírus. Por isso, tomar esses cuidados é essencial para evitar contrair a doença e também infectar outras pessoas.

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