Odontograma: tudo o que você precisa saber!

O dia a dia de uma clínica odontológica é bastante corrido. Afinal, o dentista precisa dar conta de várias demandas, inclusive aquelas relacionadas à gestão. E tudo isso, claro, sem descuidar do excelente atendimento aos seus pacientes.

Para garantir que nada será esquecido entre as consultas é que existe o odontograma.

Uma ferramenta bastante conhecida e amplamente utilizada, capaz de orientar o profissional e oferecer mais qualidade de atendimento aos pacientes.

É por meio do odontograma que os diversos tratamentos odontológicos aos quais nos submetemos ao longo da nossa vida são registrados.

O que oferece mais segurança e tranquilidade aos pacientes e melhores condições de trabalho aos dentistas – garantindo resultados com mais qualidade.

Apesar de bastante conhecido, muitos profissionais têm dúvidas em relação aos modelos mais usados e a forma de preenchimento.

Você ainda não usa o odontograma ou tem dúvidas sobre essa ferramenta?

Neste conteúdo completo, nós vamos trazer muitas informações sobre o tema!

O que você aprenderá neste guia?

Como este é um post bem completo, você poderá se guiar pelo sumário abaixo e tirar rapidamente a sua dúvida.

Nós recomendamos a leitura de todo o material.

Neste guia, você aprenderá:

  • o que é odontograma;
  • porque usar essa ferramenta;
  • como usar corretamente o odontograma;
  • as melhores ferramentas e soluções em termos de odontograma;
  • como escolher o odontograma certo para a sua clínica.

Boa leitura!

O que é um odontograma?

O odontograma é um diagrama gráfico onde estão marcados todos os dentes da arcada superior e inferior do paciente.

Também é conhecido por outros nomes, como: carta dentária, diagrama dental, dentograma ou periodontograma.

Nele, cada dente é nomeado com um número – e também podem existir outras variantes como pares numéricos ou letras maiúsculas.

No diagrama ainda estão representadas as dentições primárias e infantis – muito importante para quem trabalha com odontopediatria.

De uma maneira geral, existem basicamente três tipos de odontograma, que são:

  • geométrico: as cinco faces dos dentes são representadas com formas geométricas (por exemplo quadrados ou círculos);

  • anatômico: o formato diferente de cada dente é representado a sua maneira real, ou seja, de forma fidedigna com o que encontramos na boca dos pacientes;

  • dois dígitos: proposto pela Federação Dentária Internacional, o primeiro número designa o quadrante e o segundo a posição do dente.

Embora ele seja mais comum em fichas de papel, hoje também existem odontogramas digitais, integrados com sistemas de gestão de clínicas e prontuários eletrônicos.

Mais abaixo neste conteúdo falaremos sobre essa versão e suas principais vantagens frente aos modelos tradicionais.

Por que utilizar o odontograma?

O odontograma é uma ferramenta extremamente importante tanto para a prática clínica como para a proteção legal do dentista. Afinal, ela funciona como o documento da qualidade bucal de cada paciente e as ações realizadas pelo profissional.

O odontograma indica:

  • os dentes que precisam de tratamento;
  • os tratamentos possíveis de serem realizados;
  • acompanhamento e evolução do quadro do paciente;
  • operações e tratamentos anteriores já realizados no paciente;
  • entre outros.

Funções

Como dissemos, o odontograma tem várias funções para os dentistas. Como:

  • ajuda o profissional a conhecer melhor o trabalho realizado anteriormente no paciente;
  • identifica cada paciente;
  • facilita a troca de informações entre os profissionais;
  • etc.

Com um odontograma bem feito e atualizado, é possível até mesmo que o dentista consiga se proteger contra processos judiciais.

Por exemplo, caso um paciente não se sinta satisfeito com o resultado do tratamento e decida processá-lo, o odontograma será usado como prova, pois é a documentação do estado de saúde bucal do paciente e dos tratamentos realizados anteriormente e por você.

Além disso, ele também pode ser usado como fonte de informação no reconhecimento de corpos, em especial daqueles em difícil estado de reconhecimento, como os carbonizados.

Pelo estudo da arcada dentária é possível distinguir algumas características básicas que devem estar dispostas no odontograma do dentista responsável por atender aquele paciente.

Justamente por ser tão importante, é que essa documentação precisa ser constantemente atualizada.

A cada nova visita do paciente, você deverá incluir os dados no odontograma, tornando-o mais confiável e também protegendo a sua ação profissional.

Como usar corretamente o odontograma?

Essa é uma das dúvidas mais comuns de vários dentistas.

Embora alguns afirmem que não existe uma técnica única, é importante seguir alguns padrões. Isso porque, sem eles, será difícil para que outros profissionais compreendam a informação ali presente.

Ainda que existam vários tipos de odontograma, é importantíssimo salientar que a forma de preenchimento deverá ser sempre a mesma.

Preenchimento

Veja algumas dicas essenciais para o correto preenchimento:

  • não necessita de nenhum tipo de tratamento: pintar a área correspondente de verde;
  • necessidade de tratamento: pintar a área correspondente de vermelho;
  • tratamento realizado: pintar de azul a área correspondente (sobre o vermelho);
  • dente ausente (extraído): pintar de preto a área correspondente;
  • dente incluso: contornar de preto;
  • dentes com indicação de tratamento endodôntico: anotar com um traço vermelho a região do conduto radicular;
  • dente decíduo presente no arco dentário: deve ser circulado em azul no odontograma correspondente;
  • presença de doença periodontal: traço horizontal em vermelho na região do colo dentário;
  • dentes com prótese fixa: preencher totalmente com tinta azul os dentes e indicar na observação o tipo de prótese usada.

Além disso, o dentista também deverá realizar ilustrações referentes aos achados clínicos, como:

  • diastema: dois riscos verticais em azul;
  • excesso de restauração (área de retenção): ziguezague em vermelho;
  • desgaste dental sem a necessidade de restauração: riscos diagonais em verde;
  • desgaste dental com necessidade de restauração: riscos diagonais em vermelho;
  • lesão de cárie ativa com cavidade: semi-círculo vermelho posicionado para cima e com traçado contínuo;
  • lesão de cárie ativa sem cavidade: semi-círculo vermelho posicionado para cima com traçado pontilhado;
  • lesão de cárie inativa com cavidade: semi-círculo verde posicionado para cima e com traçado contínuo;
  • lesão de cárie inativa sem cavidade: semi-círculo verde posicionado para cima com traçado pontilhado;
  • restauração satisfatória (não necessita de intervenção): círculo pintado de verde;
  • restauração insatisfatória (necessita de intervenção): círculo pintado de vermelho;
  • restauração provisória: círculo vermelho (sem pintar o interior);
  • extrusão dental: duas setas azuis (uma para cima outra para baixo);
  • inclinação dental: setas em formato de U para cima ou para baixo em azul;
  • envolvimento de furca classe 1: setas em vermelho apontando para o centro;
  • envolvimento de furca classe 2: triângulos vazados em vermelho indicando para o centro;
  • envolvimento de furca classe 3: triângulos pintados de vermelho indicando para o centro;
  • mobilidade (1,2 ou 3): marcar número no mapa oclusal;
  • problema mucogengival: asterisco verde.

Veja o documento abaixo com recomendações da Faculdade de Odontologia da USP.

 

Boas Práticas

Além de buscar realizar o preenchimento de forma correta e padronizada, garantindo que os demais profissionais conseguirão entender o documento, ainda existem outras dicas essenciais. Como:

  • sempre realizar dois odontogramas: o primeiro na avaliação do paciente e o segundo após o tratamento realizado, indicando todas as alterações;
  • se possível, lembre-se de incluir outros detalhes. Por exemplo, no caso de uma restauração, inclua detalhes técnicos como material usado, faces restauradas etc., algo muito importante em casos de comprovação judicial ou acompanhamento por outros profissionais;
  • faça anotações claras, precisas e concisas;
  • garanta que todas as informações estejam legíveis e sejam compreensíveis por qualquer profissional da área;
  • use o campo observação para anotar informações gerais como: presença de próteses fixas ou removíveis, implantes ou pinos para implantes, tratamentos incomuns, presença de aparelho ortodôntico, dentes em posicionamento atípico, lesões em tecido mole e outras;
  • sempre preencha a ficha com os fatores de risco;
  • após os tratamentos, indique no odontograma o tipo de atendimento e a data, além do procedimento realizado.

Quais as melhores ferramentas disponíveis para odontogramas?

Como dissemos nos tópicos anteriores, existem basicamente dois odontogramas mais usados: os de papel, com preenchimento manual, e os eletrônicos.

Odontograma papel

Embora as fichas de papel sejam as mais conhecidas e bastante populares nos consultórios, elas não são as melhores opções disponíveis.

Afinal, essa é uma informação bastante valiosa e corre-se o risco de acabar perdendo essa documentação, seja por descuido na hora de organizar os itens, ou seja, ainda, por questões físicas como goteiras, enchentes, assaltos e outros problemas.

Além disso, o profissional precisará sempre considerar a necessidade de uma área física no seu consultório para acomodar toda essa papelada.

Odontograma Digital

Hoje muitos softwares de gestão de clínicas e outras ferramentas oferecem o odontograma digital.

Como o próprio nome sugere, ele é a representação tradicional do odontograma no computador.

A grande vantagem é que essa documentação ficará bem mais segura, especialmente se a tecnologia de armazenamento for na nuvem. Ou seja, ao invés de esses dados ficarem salvos no seu computador, eles estarão em um diretório protegido e criptografado na internet.

Assim, mesmo que problemas físicos e estruturais acometam as instalações dos seu consultório ou haja problemas nos seus computadores, as informações dos seus pacientes estarão sempre seguras e serão facilmente acessadas por quem detiver a senha e o login.

Além disso, o profissional não precisará de um espaço extra para organizar os odontogramas e fichas dos pacientes e facilmente poderá encontrar a informação que precisa, com buscas internas nos bancos de dados.

Alguns odontogramas digitais funcionam de modo integrado a outras tecnologias, como o prontuário eletrônico e o cadastro do paciente.

Assim, todos os dados ficam salvos de maneira segura – e existe a possibilidade de detalhar melhor os achados, tratamentos e procedimentos, oferecendo mais segurança ao paciente e ao profissional.

Como escolher o melhor odontograma para minha clínica?

Se você optou pelo odontograma digital ou online, é importante escolher corretamente entre as várias opções disponíveis no mercado, não é mesmo? Existem algumas dicas importantes que precisam ser consideradas neste momento, como:

  • saiba como é a facilidade de uso do sistema;
  • avalie como é feito o preenchimento do odontograma e se ele está de acordo com os padrões usados atualmente;
  • analise se o sistema permite que sejam feitas modificações das informações, principalmente em casos de preenchimento errado;
  • saiba onde esses arquivos ficam salvos e prefira aqueles que trabalham em nuvem;
  • avalie como é o acesso e se existem maneiras de proteger as informações dos seus pacientes, como criptografia e barreiras de login e senha;
  • analise outros benefícios disponibilizados além do odontograma, como prontuário eletrônico, ficha cadastral etc.;
  • considere a parte estética do odontograma, principalmente caso use essa documentação para explicar intervenções e dados aos pacientes (por exemplo os odontogramas em 3D);
  • opte por versões que possam ser acessadas via mobile, como por meio de tablets e smartphones;
  • avalie se existe espaço disponível para incluir informações mais detalhadas;
  • saiba se o odontograma em questão possui opções para crianças e adolescentes.

Conclusão

Como você viu, o odontograma é uma ferramenta extremamente importante na prática clínica de qualquer dentista, independentemente da especialidade.

Afinal, essa é a documentação que indica o estado da saúde bucal de cada paciente, os tratamentos realizados e o acompanhamento e a evolução de cada quadro.

Assim, o odontograma fornece informações essenciais para os profissionais de saúde e também resguarda a atuação dos dentistas perante ações judiciais.

É por meio deste documento, ainda, que a polícia e outros órgãos podem realizar a identificação de corpos.

Mas para que todos esses objetivos sejam alcançados, é primordial que o odontograma seja preenchido corretamente e de acordo com as diretrizes mais usadas.

Uma forma de garantir que qualquer dentista conseguirá entender o que está ali expresso e dar continuidade ao tratamento mais adequado ao paciente.

Hoje uma possibilidade bastante usada é o odontograma digital ou online.

O avanço tecnológico oferece mais segurança aos dentistas, principalmente resguardando a integridade física desses dados (impedindo que chuvas, enchentes e outros problemas comprometam os odontogramas da clínica).

Existem ainda softwares odontológicos que oferecem outras facilidades além do odontograma, como prontuário eletrônico, controle dos pacientes, fichas e funções de gestão.

De qualquer forma, é muito importante conhecer bem as suas necessidades e as das sua clínica, encontrando o odontograma que melhor se encaixe na sua rotina e nas exigências dos pacientes e do mercado.

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